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"Bem-abenturado aquele que lê,
e bem-aventurados os que ouvem
as palavras desta profecia,
e guardam as coisas que nela
estão escritas, porque o
tempo está próximo"
Apocalipse 1:3


Daniel 4


REVISÃO:

Até aqui, em nossos estudos anteriores, estudamos os três primeiros capítulos do livro de Daniel. Aprendemos que o livro de Daniel tem duas seções básicas:

1. Histórias de pessoas que se depararam com decisões de vida e morte. Deus quis que essas histórias fossem registradas para que nos servissem de modelo de ação nos dias finais da história deste mundo;
2. Profecias historicistas que, de forma acurada predisseram o surgimento e a queda de grandes impérios mundiais, desde os dias de Daniel até o fim dos tempos.

Em Daniel 1, aprendemos como Nabucodonosor atacou o santuário de Deus. Ele também levou o povo de Deus cativo, junto com os vasos sagrados do templo de Deus e colocou-os nos templos pagãos babilônicos, para culto aos deuses falsos. Nesse sentido ele é um tipo, um modelo, do poder do anti-Cristo.

Em Daniel 2, aprendemos como Nabucodonosor teve um sonho de uma grande estátua humana de metais diferentes, que foi destruída por uma pedra cortada do céu sem mãos humanas. A seguir, a pedra cresceu, se tornou em uma montanha e continuou a crescer, até preencher toda a terra. Deus mostrou ao rei, por meio dessa visão, o que aconteceria com o povo de Deus, desde os dias de Daniel até o fim dos tempos. Durante esse estudo também vimos vários textos que apontam Jesus como a Rocha da visão. Identificamos a montanha como o santuário de Deus.

Em Daniel 3, vimos que Nabucodonosor rejeitou o caráter historicista da profecia e ao próprio Deus. Nabucodonosor estabeleceu um culto falso e obrigatório, por lei. Sadraque, Mesaque, Mesaque, e Abednego não se curvaram diante da estátua gigantesca. Sadraque, Mesaque, e Abednego não nem ao menos tocados pelo fogo. Nabucodonosor viu o Filho de Deus viu caminhando no meio do fogo com os três hebreus. Vimos que o fogo é um símbolo da presença de Deus. Também vimos que apenas os justos, que amam, servem e obedecem a Deus é que são capazes de permanecer vivos, na presença de Sua fulgurosa e consumidora glória, sem que sejam destruídos. Nabucodonosor não foi morto pelas chamas da fornalha, quando se aproximou de sua boca, porque ele estava correspondendo ao processo de atração que Deus estava realizando com ele.

INTRODUÇÃO:
Estamos retornando agora ao livro de Daniel. Em Daniel capítulo 4, veremos como Nabucodonosor finalmente veio a conhecer e cultuar ao verdadeiro Deus.

Pano de Fundo:
Esta história aconteceu 35 anos após Daniel ter sido feito cativo de Babilônia. Daniel estava com cerca de 50 anos de idade. Ele e seus amigos, Sadraque, Mesaque e Abednego haviam sido testemunhas vivas do verdadeiro Deus em Babilônia para Nabucodonosor. Em Daniel capítulo 2, Deus foi revelado como o verdadeiro PROFETA. Ele é o Único que realmente conhece todo futuro. Em Daniel capítulo 3, Deus é revelado como o verdadeiro LIBERTADOR. Ele é o poderoso Salvador do Seu povo. E, em Daniel capítulo 4, Deus será revelador como o CONQUISTADOR. Pois Ele é o único Rei verdadeiro para as nações da terra. Por 35 anos Deus repetitivamente havia mostrado Sua misericórdia para com Nabucodonosor. Ele criara várias oportunidades para que ele conhecesse e se submetesse humildemente ao verdadeiro e único Deus. Daniel capítulo 4 mostra a história da conversão de Nabucodonosor e seu testemunho pessoal. Ele registra o poderoso milagre da graça transformadora de Deus na vida de um rei mundano e orgulhoso.


Dan. 4: 1-3
Nessa introdução, o próprio rei Nabucodonosor se dirige ao leitor pessoalmente enquanto reconhece a bondade e o poder do verdadeiro e único Deus vivo. Que mudança em relação ao rei Nabucodonosor dos capítulos 2 e 3, que rejeitou tão drasticamente o esboço divino da história humana ao criar a gigantesca estátua de ouro no vale de Dura.

“Paz vos seja multiplicada.”

Nabucodonosor começa com a palavra “paz”. Como esse tipo de abertura se parece com a forma de Paulo escrever e abrir muitos dos seus livros (cf. Gál. 1:3; Efé. 1:2; Fil 1:2; Rom. 5:1, etc.). Tanto Nabucodonosor quanto Paulo se opuseram ferrenhamente contra Deus. Os dois haviam perseguido o povo de Deus. Os dois experimentaram eventos “sobrenaturais” que os levou, cada um, à sua própria conversão. Os dois foram levados a conhecer a fonte de toda paz em suas vidas. Os dois se dedicaram a tornar conhecido o amor de Deus por todos.

Repare que Nabucodonosor procurou conhecer seus pensamentos interiores em Daniel 2:30. Em Daniel 2:1, a Bíblia nos diz que ele estava “perturbado” e tinha dificuldade para dormir. Quando o propósito da profecia operou sua transformação na vida do rei, ele então pôde dizer, com segurança, que ele encontrou paz no mais exaltado Deus.


Dois Pontos Chave:
1. Quando uma pessoa despreza a vontade de Deus e vive uma vida sem harmonia com o Seu plano, não haverá paz duradoura;
2. Tanto Paulo quanto Nabucodonosor se submeteram aos conselhos do Espírito Santo de Deus, e ao assim fazerem, eles encontraram paz duradoura e verdadeira.


PERGUNTA: Nós também podemos encontrar paz em nossas vidas?
Sim. Podemos encontrar paz e segurança exatamente da mesma forma que Paulo e Nabucodonosor fizeram:

Isaías 26:3 - “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em Ti”.
Fil. 4:7 - “A paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus”.
Gál. 5:22 - “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade...”.
Rom. 15:13 - “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz na vossa fé, para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo”.


Ponto Chave #1:
No verso 3, Nabucodonosor se regozija por causa dos sinais e maravilhas que Deus havia revelado-lhe por meio de profecias. É importante notar que os sinais e as maravilhas podem amaciar ou endurecer corações. Confira a reação de Faraó a esse mesmo Deus, em Êxodo 7:3.

Ponto Chave#2:
No verso 3, Nabucodonosor finalmente reconhece o que havia sido lhe revelado em Daniel 2:44 que o reino de Deus é o único reino eterno.

Dan. 4:4-9
Nabucodonosor teve outro sonho que o deixou perturbado. Ele começa da mesma forma que no capítulo 2. Ele conclama seus homens “sábios”, seus mágicos, astrólogos, caldeus e agoureiros. Em primeiro lugar ele buscou o conselho dos homens. Como antes, eles ficam impotentes, sem nada poder fazer. Dessa vez ele não se esquece do sonho, mas mesmo após contá-lo em detalhes, ninguém consegue ajuda-lo. Finalmente Nabucodonosor chama Daniel. Nabucodonosor ainda não havia aprendido, pela experiência anterior, que ele sempre deveria a Deus em primeiro lugar. Algumas vezes nós mesmos, como Nabucodonosor, resistimos às várias lições que Deus tenta nos ensinar. Primeiramente, tentamos todas as outras coisas para, só depois, em desespero, pedimos a ajuda de Deus?

Verso 2: Repare que Nabucodonosor fica atormentado, pela segunda vez, por um sonho (cf. Daniel 2:1).

Até mesmo cientistas seculares são obrigados a reconhecer a importância dos sonhos para termos paz mental:

“A função dos nossos sonhos de produzir símbolos é um esforço por trazer de volta nossa mente original de volta à consciência, where it has never been before, and where it has never udnergone critical self-reflection.” (Carl Gustav Jung, Selected Writings (Book of the Month Club: New York, N.Y., 1997) pp. 277-278.

Ponto Chave:
Nos versos 8 e 9, Nabucodonosor reconheceu Daniel como alguém que tinha conhecimento dos “deuses” santos. A palavra caldéia para “deuses” é “Elahiyn”. Provavelmente ela é igual à palavra hebraica “Elohiym” para o Deus único. Assim Nabucodonosor, reconhece que Daniel conhece Deus.

Dan. 4:10-18
Nabucodonosor descreve o sonho para Daniel. O primeiro sonho de Daniel 2 foi dado a Nabucodonosor para lhe revelar que Deus se importava e se preocupava com ele de forma pessoal. No verso 17 o sonho foi dado por um motivo diferente. Ele foi dado para mostrar que Deus está acima dos reinos e dos homens, controlando-os e que Ele é capaz de remover e entronizar reis de acordo com Sua vontade.

Ponto Chave#1:
As árvores estavam associadas a cultos pagãos idolátricos. No contexto, Nabucodonosor se faz num ídolo – ele é a árvore.

Ezequiel 20:28 e Ezequiel 6:3 claramente associam o culto a ídolos a árvores.

Nabucodonosor é um exemplo, um modelo do poder do chifre pequeno de Daniel 7:8.

Ponto Chave#2:
Nos tempos antigos, as árvores eram símbolo de ordem universal.

O topo da árvore simbolizava o céu. As raízes representavam o mundo de baixo. A árvore representava ligação entre céu e terra. Nesse sentido, Nabucodonosor iria cumprir o papel de conectar pessoas ao conhecimento do verdadeiro Deus. Foi por essa razão que Deus lhe havia dado sonhos proféticos, para encorajar o mundo a confiar e se submeter a Deus. Ele não entendeu as oportunidades de Deus, perdeu suas bênçãos e a oportunidade de ser um fiel representante de Deus ao mundo.


Verso 13: Santos = Vigias.
De acordo com Salmos 89:5, 7, existe no céu um “Conselho dos Santos”. Em Deuteronômio 33:2, esses mesmos santos desceram do Deus do céu no Monte Sinai no Êxodo, quando Deus libertou Seus filhos do Egito. Eles estavam presentes quando Deus entregou os Dez Mandamentos a Israel. De acordo com Zacarias 14:5, esses mesmos santos virão com Deus na segunda vinda de Jesus. Nesse sentido, a segunda vinda será um Sinai universal, quando o pilar de nuvem e fogo de Deus será manifesto a todo mundo com anjos inumeráveis. Em 1 Coríntios 4:9, Paulo nos diz que somos “espetáculo” a esses seres não caídos. A palavra grega para “espetáculo” é “teatro”. Efésios 3:8-10 aprofunda esse pensamento quando Paulo indica que o Evangelho foi-nos dado com o objetivo de revelar a vontade e os propósitos de Deus aos que governam este mundo e aos habitantes de todo universo.

Verso 15: Compare este verso com Jó: 14:7.


Verso 17:
A atividade investigatória dos “vigias” culmina no julgamento ou “decreto” que vem da assembléia ou Conselho dos Santos. Este é um prelúdio do juízo investigativo celestial de Daniel 7:9, 10 quando os livros forem abertos no final dos tempos.

Dan. 4:19
Daniel ficou sem respirar. Ele imediatamente entendeu o que o sonho significava. Mesmo que Nabucodonosor tivesse feito ele cativo, Daniel não ficou nem um pouco feliz de dizer que Nabucodonosor teria sua recompensa justa. Daniel não disse, “Foi bem feito”. Daniel sabia que, para ser capaz de ajudar Nabucodonosor, precisaria de muito amor e diplomacia espiritual. Daniel amava Nabucodonosor como uma pessoa.


Dan. 4:20-26

Daniel interpreta o sonho.

Nabucodonosor é a “árvore” que Deus vai cortar e remover do poder. Da mesma forma como Deus deixou um toco do tronco, Deus mostrou a Nabucodonosor que seu reino não lhe seria tirado para sempre. O propósito dessa disciplina de Deus nos é dado no verso 25 - “até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer”. E no verso 26, “E quanto ao que foi dito, que deixassem o tronco com as raízes da árvore, o teu reino voltará para ti, depois que tiveres conhecido que o céu reina”.

Verso 23: “... sua porção com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos”. Isso se refere a sete anos literais.

Dan. 4: 27
Note que Deus, por meio de Daniel, encorajou e advertiu Nabucodonosor a mudar “e põe fim aos teus pecados”. Aqui vemos claramente que as advertências e julgamentos de Deus são condicionais. Se o pecador mudar seus maus caminhos, Deus não enviará o mal sobre eles. O livro de Jonas ilustra essa mesma verdade.


Dan. 4:28-30
Deus advertiu Nabucodonosor a se arrepender. Ele deu ao rei 12 meses para mudar de atitude, procurando a Deis. Mas ele se recusou a se submeter à advertência de Deus e reconhecer que Deus tinha o controle de sua vida.

No verso 30 ele age como se ele fosse o deus de sua própria vida. Ele toma todo crédito pelo que ele fez com seu poder e majestade.


Dan. 4:31-33
Finalmente, Deus se viu obrigado a não esperar mais tempo e cumpre Sua profecia. Nabucodonosor se torna como um animal selvagem e é levado para fora de sua corte. Ele se torna em um louco.

Licantrofia:
Provavelmente Nabucodonosor experimentou a licantrofia. Essa é uma doença estranha que a maioria dos dicionários médicos relacionam como uma forma de insanidade. Nessa desordem, as pessoas se imaginam como sendo um lobo ou algum outro animal selvagem. A doença começa e termina subitamente. É caracterizada por uma completa negligência da aparência pessoal. O cabelo e as unhas crescem bastante. A higiene pessoal é completamente negligenciada. O indivíduo anda de quatro, fazendo o som de animais.


Dan. 4: 34-37
Ponto Chave para o verso 34: “ao fim daqueles dias”
Repare em como aqueles sete anos do verso 23 são apresentados como “dias”. Esse é um exemplo de aplicação do princípio dia-ano na interpretação profética. Para a aplicação do princípio dia-ano, por favor note Ezequiel 4:4-6 e Números 14:33-34.

A conversão de Nabucodonosor:
Foram necessários 35 anos de testemunhos de Daniel, várias revelações do poder de Deus e finalmente uma sentença de insanidade, antes que Nabucodonosor finalmente se convertesse. Após Nabucodonosor aceitar a soberania de Deus, Ele o abençoa, devolvendo-lhe seu reino e sua majestade.





  
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